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ASHES AND SNOW

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Ashes and Snow a exposição do artista canadense Gregory Colbert consiste numa coletânea de obras fotográficas, filmes e um romance epistolar, todos eles companheiros de viagem de um museu itinerante, o Nomadic Museum, uma estrutura temporária exclusivamente concebida para acolher a exposição. O trabalho explora as sensibilidades poéticas partilhadas pelos seres humanos e pelos animais. Ashes and Snow já viajou até Veneza, Nova Iorque, Santa Mônica, Tóquio e Cidade do México. Até à data, Ashes and Snow já atraiu mais de 10 milhões de visitantes, o que a converte na exposição de um artista vivo mais visitada de todos os tempos.

TELEPORTE DE OBJETOS

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• Muitas vezes rejeitamos aquilo que não podemos ver, e o categorizamos como crendice. Só que a ciência não é tão somente baseada naquilo que podemos ver ou medir, como bem provou Einstein ao formular a Teoria da Relatividade (que até hoje está apenas parcialmente comprovada, mas é utilizada até hoje com sucesso). O fenômeno espírita é baseado na Teoria de que o Plano Espiritual (o "mundo dos mortos") está além dos nossos sentidos, mas pode interagir com o nosso Plano de Existência em casos especiais. Quem participa de reuniões espíritas onde acontece incorporação de entidades pode (ou não) ter presenciado fenômenos como teleporte de objetos, curas ou, mais comumente, o aparecimento de odores no ambiente, característicos de certas entidades.
Negar é sempre mais fácil e cômodo do que investigar, ou ter de dar uma resposta para aquilo que não se conhece e nem se dispõe de tecnologia para comprovar. Como, por exemplo, o caso do teleporte de objetos realizado em laboratório na China:
Em setembro de 1981, a revista Ziran Zazhi publicou que pesquisadores chineses levaram a efeito na República Popular da China uma série de experiências fantásticas envolvendo teleporte de pequenos objetos. O assunto foi muito comentado, porque era a primeira vez naquele país que algo tão fora do comum era obtido em laboratório. O resultado dos ensaios era algo que beirava o inacreditável, difícil mesmo de saber como seria possível realizar aquilo. Mas práticas semelhantes já haviam sido levadas a efeito em laboratórios de outros países, com resultados similares.
Os testes foram realizados em ambiente controlado, usando os métodos blind e double-blind (em que nenhum dos dois lados poderá interferir, consciente ou inconscientemente, no resultado). Os agentes psicocinéticos escolhidos foram dois meninos, Ping e Chang. Vários observadores de Instituições médicas da China estavam presentes, assim como representantes da Comissão Científica de Defesa da República Popular da China.
Observando a obra Espírito, Perispírito e Alma, do Prof. Hernani Guimarães Andrade, vemos ali registrado que, em uma caixa devidamente lacrada, os cientistas colocaram aparelhos rádio-transmissores, que funcionavam por meio de pilhas. Uma outra caixa, também lacrada, mas vazia, fora colocada em um canto da sala, para onde os microtransmissores deveriam ser teleportados por ação da "força de pensamento" dos dois meninos.
Os sinais de rádio, emitidos pelos microtransmissores colocados dentro da caixa, eram captados por equipamento eletrônico postado na sala, o qual assinalava na tela os sinais transmitidos.
Observou-se que os sinais de rádio sofriam flutuações de intensidade, chegando a desaparecer completamente da tela, por um tempo mais ou menos longo, toda vez que o radiotransmissor desaparecia da caixa. Contudo, as ondas reapareciam na mesma intensidade toda vez que o radiotransmissor voltava ao mesmo local em que estava, ou, então, era teleportado à outra caixa no fundo do laboratório, sendo ali captado por meio de aparelhos.
Quando as ondas desapareciam por completo, os autores da experiência admitiram que os objetos passavam do estado de "existência" para o de "não-existência". Contudo, após um curto lapso de tempo - no qual as ondas desapareciam por completo - elas voltavam à tela de modo incerto, apresentando uma "flutuação" de intensidade, o que parecia corresponder a um estado de "transição" do sinal, como se fosse dado um salto no ar de outro espaço, antes do reaparecimento completo da onda na tela, sinalizando a total transposição dos objetos para a outra caixa.
Na teleportação, durante a enigmática viagem pelo "espaço" - período este em que as ondas desapareciam por completo da tela e os microtransmissores não estavam em caixa nenhuma - outros equipamentos montados no laboratório registraram que eles continuavam a consumir eletricidade das pilhas. Isso veio demonstrar que eles não pararam de funcionar um só instante, mesmo durante a enigmática passagem de uma caixa para outra. Portanto, ficou demonstrado que a teleportação não interrompia o funcionamento dos transmissores; apenas a captação de ondas no espaço tridimensional sofrerá interrupção.
O conteúdo da caixa era fotografado/filmado por equipamentos de alta velocidade, que registraram o desaparecimento dos objetos, que demoravam de segundos a minutos para reaparecer na outra caixa. Tais experimentos podiam ser repetidos quantas vezes fosse necessário, ou seja, não foi algo ao acaso, que possa ser descartado pela Navalha de Ockham.
Outras experiências foram feitas pelos pesquisadores chineses: Na mesma condição já descrita, colocaram dentro da caixa dois relógios, sendo um mecânico (movido a corda manual) e o outro eletrônico-digital; e também colocaram na caixa várias moscas-de-frutas (drosophilas), acondicionadas perfeitamente vivas. Para surpresa geral, nada constituiu obstáculo à teleportação. Todos os experimentos foram teleportados para a caixa vazia, posicionada no outro canto do laboratório.
Durante o tempo em que o teletransporte fora realizado, os relógios continuaram funcionando sem qualquer interrupção e a marcação das horas fora idêntica, tanto no mecanismo de corda quanto no eletrônico-digital.
As moscas, por sua vez, estavam plenamente vivas e assim permaneceram por vários dias, não apresentando alteração na sua longevidade vital.
Ao final da experiência, os pesquisadores concluíram que houve a real passagem dos objetos de uma caixa para outra, mas por um "estado excepcional da matéria", totalmente indefinido. Esses fatos vieram mostrar que durante o apport a hipótese de desintegração e rematerialização dos objetos não se confirmara, porque o consumo ininterrupto de energia demonstrava o contrário. Nos casos verificados, uma explicação muito plausível para elucidar a teleportação é a hipótese de Zollner, ou seja: Transferência de corpos através do hiperespaço de quatro dimensões.

A Colheita de almas durante a Tribulação

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É muito importante destacarmos também que, apesar da Tribulação prometer ser o período mais sombrio da humanidade, Deus é misericordioso mesmo neste período. Muitos pensam que Deus é tirano ou algo assim, o que é totalmente errado. Deus é o único que tem o poder para julgar o mundo, e Ele assim o vai fazer, porque Ele é Deus justo, acima de tudo.
A Bíblia diz que "Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente." (Hebreus 13:8) e assim também o será durante a Tribulação. Isto significa que, mesmo depois da igreja ser arrebatada da terra e não estar presente durante este período, aquele que invocar o nome do Senhor, ainda será salvo (Joel 2:28-32).
É importante termos em mente que, aqueles que sobram do Arrebatamento, são os que não aceitaram a Jesus como Senhor e Salvador pessoal. Muitos têm o conceito errado de que, após o Arrebatamento, o Espírito Santo de Deus seria retirado da terra e o restante das pessoas já estaria automaticamente condenado. Isto NÃO É VERDADE!
O profeta Joel também teve a visão do fim dos tempos em suas profecias:
• Joel 2:28-32
"E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões. E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito. E mostrarei prodígios no céu, e na terra, sangue e fogo, e colunas de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor. E há de ser que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo; porque no monte Sião e em Jerusalém haverá livramento, assim como disse o Senhor, e entre os sobreviventes [os remanescentes], aqueles que o Senhor chamar."
Podemos concluir que os versículos acima correspondem ao fim dos tempos, porque a mesma descrição está em Atos 2:20 e também em Apocalipse 6:12.
Veja como Deus dá a segunda chance mesmo durante a Tribulação, porque é do desejo dele que todos se salvem, mas Deus não pode forçar alguém a aceitá-lo. Lembremos que Deus nos dá o livre arbítrio para tudo na nossa vida, inclusive para aceitá-lo ou não.
Deus quer, durante o período da Tribulação, cumprir dois objetivos:
• punir os pecadores impenitentes
• sensibilizar outros para o arrependimento e a fé
• restaurar por completo a nação de Israel
Por isto, Paulo escreveu sobre a justiça de Deus em Romanos 11:22:
"Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas para contigo, benignidade, se permaneceres na sua benignidade; de outra maneira também tu serás cortado (podado)."
Em Apocalipse 7:9, João descreve uma grande colheita de almas:
"Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, [aglomeradas] de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos;"
O versículo diz que é uma multidão que ninguém podia contar. Portanto, muitos se convencerão do pecado durante este período. São os novos crentes, que se convertem depois do Arrebatamento. Estes crentes se convencem do pecado durante os julgamentos que Deus envia ao mundo no período da Tribulação.
Deus prova, mais uma vez, que ama todos que se voltam para Ele, mesmo durante a Tribulação.

Eucaristia e Eclesiologia

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Carlos Eduardo B. Calvani

Ao tratar da Eucaristia estamos no coração do Evangelho e da vida que ele suscita na Igreja. A pergunta inicial que dirige nossa reflexão é: “de que modo a Eucaristia ilumina nossa compreensão do mistério da Igreja?” Ao tentarmos acentuar o mistério da Eucaristia e da Igreja estamos tentando falar do que não pode ser dito, do indizível, do inexplicável, daquilo que nem olhos viram, nem ouvidos ouviram e que é o próprio mistério do Deus presente.

Alguns estudiosos do Novo Testamento perguntaram por que as alusões bíblicas à Eucaristia além de poucas, são indiretas e não muito claras. Bultmann e Kasemann deduziram que a ceia não tinha grande importância na vida das primeiras comunidades e que só começou a ganhar importância na medida em que diminuía a expectativa da parusia iminente. Assim, para eles, a celebração eucarística tornou-se uma espécie de substituto ou sucedâneo da parusia. A expectativa escatológica teria sido substituída por um rito proléptico que, de certo modo, resolvia o problema da frustração diante do não-retorno de Cristo.

Inclino-me, porém, a aceitar mais a hipótese de Jeremiias e Von Allmenn que explicam as reduzidas referências esparsas e pouco objetivas sobre a eucaristia apelando para a disciplina do arcano. Ou seja, se há poucas referências à Eucaristia nos escritos apostólicos, não é porque ela fosse negligenciada, mas porque não se falava dela aos de fora, e sobre ela se escrevia o mínimo possível. Isso suscitou até mesmo acusações de canibalismo por parte de pessoas de fora da igreja e que apenas ouviam dizer que os cristãos se reuniam para “comer o corpo e beber o sangue” de alguém.

De fato, a celebração eucarística é um mistério. Encerra um segredo do qual os iniciados partilham mas não explicam. Por isso, sem qualquer pretensão de explicar o inexplicável, quero apenas destacar três pontos (dentre muitos outros) que me parecem importante acentuar em nossa presente caminhada histórica:

1. A Eucaristia aguça o mistério da comunhão mística entre Cristo e a Igreja. Nós a celebramos “com Cristo, por Cristo e em Cristo”;

2. A Eucaristia esclarece o significado das marcas teológicas da Igreja;

3. A Eucaristia revela aos olhos da fé a contínua transformação que Deus opera no mundo e em nós pelos efeitos do sacrifício de Cristo.


1. A Eucaristia enfatiza o mistério da comunhão mística entre Cristo e a Igreja.

Esclareço, de antemão, que sempre que me refiro à Igreja, tenho em mente uma compreensão orgânica e não institucional. Estou falando do “corpo de Cristo” e não propriamente de nossas instituições.

A Eucaristia é um mistério de comunhão dupla – une a Igreja a Cristo e os fiéis entre si. É comunhão “com Cristo” e “em Cristo” e por isso a chamamos também “Santa Comunhão”. É o mistério ao qual São Paulo se refere quando afirma “o pão que partimos é a comunhão do Corpo de Cristo, e o Cálice que aençoamos é a comunhão do Sangue de Cristo, pois nós, embora muitos, somos um só corpo” (1 Co 10.17 e LOC, p. 64).

Uma das formas das Escrituras Sagradas acentuarem o mistério da comunhão entre Deus e seu povo é com a metáfora nupcial. Ela procede do Antigo Testamento (p.ex., o profeta Oséias) e recebe reforço no Novo Testamento com a parábola das Bodas (Mt 22.2) onde o Reino de Deus é comparado a uma festa de casamento. A carta aos Efésios também utilizará essa metáfora posteriormente comparando a relação entre marido e esposa, Cristo e a Igreja e concluirá dizendo: “grande é esse mistério, mas eu me refiro a Cristo e à Igreja”.

Atualmente a utilização dessa metáfora tem caído em desuso devido às pertinentes críticas da teologia feminista. Porém, ela faz parte da tradição de Israel e da Igreja e precisamos pensar como seria possível recuperar o poder dessa metáfora evitando os abusos do patriarcalismo e do androcentrismo.

A comunhão mística da Igreja “com Cristo” suscita também a comunhão “em Cristo”, ou seja, une as pessoas que estão “com Cristo” em um elo de intimidade “em Cristo” porque comem e bebem o mesmo alimento, seu corpo e seu sangue. Daí a importância do símbolo da mesa e da comensalidade. Nas culturas antigas, especialmente nas culturas orientais, sentar-se com alguém à mesma mesa e partilhar a mesma refeição em um mesmo ambiente era sinal de muita intimidade. Para nós, é um pouco difícil compreender isso devido à cultura fast-food, aos restaurantes que vendem almoços por quilo. Por isso Paulo corrige com veemência a Igreja de Corinto que transformava a refeição em um banquete para poucos. O apóstolo chega a firmar “quando vocês se reúnem, não é a ceita do Senhor que vocês comem” (I Co 11.20).

Eis um importante ponto para nossa meditação e para trabalhar com nossas comunidades: se nossa eucaristia não suscita a certeza da comunhão “com Cristo” e não nos insere numa prática efetiva de comunhão “em Cristo”, é sinal de que ainda não interiorizamos suficientemente seu mistério. Se participamos dominicalmente da eucaristia, mas nossa vida não muda e a vida da comunidade também não, cabe perguntar se o que celebramos é, de fato, a Ceia do Senhor ou uma deturpação fast-food.


2. A Eucaristia esclarece o significado das marcas teológicas da Igreja


Um dos temas chaves da eclesiologia é o estudo do que se convencionou chamar “marcas teológicas” da Igreja, derivadas do Credo Apostólico: unidade, santidade, catolicidade e apostolicidade. Na compreensão anglicana, a abordagem dessas “marcas” ou é feita a partir do mistério do próprio Deus. A Igreja é una porque Deus é uno; é santa porque Deus é santo, etc. A celebração eucarística nos auxilia a compreender melhor essas marcas que identificam a Igreja.

A Eucaristia acentua, por exemplo, que há um só corpo – o corpo de Cristo, assim como há uma só fé, um só batismo. Por isso a mesa não é propriedade de nenhuma instituição eclesiástica e isso nos leva a praticar o salutar hábito da hospitalidade eucarística. Nós estamos sempre reafirmando que a mesa do Senhor não pertence a nenhuma instituição religiosa. Ela não é a mesa dos anglicanos ou dos católicos ou dos presbiterianos. É mesa do Senhor ! Ele é o celebrante, o anfitrião, e nós, seu povo, somos os convidados.

Isso só pode ser compreendido quando percebemos que a eucaristia não é invenção da igreja. A Igreja não inventou a eucaristia e nenhuma instituição religiosa detém seus direitos. A Igreja a recebeu do Senhor como dom – “eu recebi do Senhor aquilo que vos transmiti...” (I Co 11.23). É significativo que São Paulo após falar da Ceia passe a destacar a unidade orgânica da Igreja, corpo de Cristo – “o corpo é um só, mas tem muitos membros; e no entanto, apesar de serem muitos, todos os membros do corpo formam um só corpo. Assim acontece também com Cristo. Pois todos fomos batizados num só Espírito para sermos um só corpo (...) e todos bebemos de um só Espírito (...) Ora, vocês são o corpo de Cristo” (I Co 12.11-14,27).

A Eucaristia também ilumina a dimensão da santidade da Igreja. Embora seus elementos-padrão sejam também os elementos mais típicos e básicos de todas as culturas – pão e vinho – eles não são apenas isso. Não são “apenas símbolos’. São muito mais do que isso. Por isso nós anglicanos reservamos cuidado especial para com os elementos consagrados. São os alimentos comuns do povo, mas são também separados, santificados através da epíclese. Quando compreendemos o valor da santificação dos elementos eucarísticos, compreendemos também que aquela mesa santificada dá sentido a todas as outras mesas das quais participamos. A eucaristia nos ajuda a compreender que somos povo santo, não apenas no sentido moral da palavra como é comum compreender, mas no pleno sentido de ser povo “separado”, povo de Deus, chamado a dar testemunho de um reino no qual não há exclusão e no qual todas as pessoas podem ser saciadas.

A Eucaristia ilumina ainda a compreensão da catolicidade da Igreja. Quando a celebramos estamos em comunhão com gerações passadas que nos anteceram, a grande nuvem de testemunhas (Hebreus 11) e com irmãos e irmãs em todas as partes do mundo, por mais diferentes que sejam. O memorial dos falecidos (“lembra-te dos que morreram na paz de Cristo...”) e a lembrança dos fiéis que estão geograficamente distantes de nós e que nunca conheceremos nos ajuda a perceber que a comunidade não é um gueto fechado.

É por isso também que ensinamos que não há várias eucaristias, mas uma só em todas as partes do mundo. O bispo que é o elo da catolicidade, autoriza e legitima seus presbíteros a presidir a celebração, e ele assim o faz porque também recebeu essa delegação de outros. Mas trata-se da mesma comunhão, seja ela celebrada em uma catedral luxuosa com linhos caros e altar revestido de ouro ou em uma capela pobre com pratos rústicos e copos de vidro. Esses detalhes não importam. É a mesa do Senhor !

Finalmente, a eucaristia dinamiza a dimensão apostólica, missionária da igreja. Tal como rezamos na oração eucarística A de nosso LOC, “faze com que nos aproximemos desta mesa para o serviço e não apenas para a satisfação pessoal”. De fato, a celebração eucaristia não é um rito que se esgota na satisfação das necessidades espirituais de quem se aproxima dela. Na comunhão eucarística temos a visão antecipada de um mundo transformado e isso deve nos impulsionar a agir de acordo com essa visão. É a antecipação do banquete nupcial. Em função dele, pedimos na oração eucarística A: “Permite que a graça desta santa Comunhão nos torne um só corpo e um só espírito em Cristo, para que trabalhemos na transformação dos reinos deste mundo no Reino de nosso Senhor Jesus Cristo”.

É significativo que as narrativas sobre o milagre da multiplicação dos pães nos evangelhos (Mt 14, Mc 6, Lc 9) aconteça imediatamente após o relato do banquete promovido por Herodes e que culminou na morte de João Batista. Ali temos um banquete “dos reinos deste mundo”, mas na seqüência, com a multiplicação dos pães,vemos outro banquete, o banquete “do Reino de nosso Senhor Jesus Cristo” que culmina em vida para todos e não em morte.

Então na Eucaristia somos alimentados e esclarecidos a contemplar vislumbres mesmo que num curto espaço de tempo, do que pode ser o mundo, de qual o propósito de Deus para o mundo e da missão da Igreja em viver e testemunhar esse evangelho.


3. A Eucaristia revela aos olhos da fé a contínua transformação que Deus está operando no mundo e em nós

“Não fixamos nosso olhar nas coisas visíveis, mas nas invisíveis; porque as coisas visíveis são passageiras, mas as invisíveis são eternas” (II Co 4.18). Essas palavras do apóstolo Paulo são de extrema profundidade espiritual. Elas nos dizem que devemos estar com nossa sensibilidade aguçada para contemplar com os olhos da fé certas realidades espirituais que não se tornam visíveis enquanto nossos olhos estiverem embaçados com as coisas terrenas.

Teilhard de Chardin relata, por exemplo, suas impressões perante a hósti dizendo que percebia ela se desdobrando luminosamente num fluxo de brancura que o invadia e que, à medida que se irradiava penetrava todas as coisas e o próprio universo a ponto de o mundo se tornar incandescente e parecido com uma grande hóstia.

De fato, durante a celebração eucarística somos convidados a romper o véu das coisas terrenas e contemplar a transformação que Deus está operando em nós e em sua criação. Por isso ousamos repetir em nossas celebrações que, durante aquele momento, por menor que seja nossa capela e o número de participantes, estamos reunidos “com os anjos, arcanjos e com toda a multidão celestial que não cessam de proclamar tua Glória”. Para a pessoa que não crê isso pode parecer loucura. De fato, é a loucura de Deus, só visível quando cai o véu que nos cega e nos impede de contemplar a grandeza do seu amor e a efetividade de suas obras.

Boa parte das divisões teológicas em torno da eucaristia aconteceram porque os teólogos tentaram compreendê-la apenas com os olhos do intelecto e não com os olhos da fé. O olhar estava fixado no que é visível e passageiro e não no que é invisível e eterno. Por isso muito papel foi gasto falando sobre transubstanciação, consubstanciação, memorial, concomitância, etc. Se é assim que olhamos a eucaristia, não estamos vendo o invisível. Daí a pertinência de nossa súplica na oração eucarística A: “Abre os nossos olhos para que vejamos tua mão agindo no mundo que nos cerca”.

Os elementos eucarísticos consagrados pelo Espírito revelam que o mesmo Espírito está preservando e transformando sua criação rumo à plenitude, em Cristo. Está transformando a nós mesmos pelo sacrifício de Cristo. Por isso a eucaristia é oferta de nós mesmos no altar. A oferenda do pão e do vinho é sinal da oferenda de todos nós que ali estamos, de tudo o que somos, porque sabemos que nós, corpo de Cristo, ainda estamos sendo formados e transformados. A Igreja não está pronta e acabada. Ela está se transformando no corpo glorioso e sem mácula, que é seu destino final.

Quisera Deus que as pessoas ordenadas ao Sagrado ministério e responsáveis por comunidades sejam elas grandes ou pequenas, possam edificar o povo que se reúne em torno do altar para que compreendam a profundidade desses santos mistérios. Desse modo, certamente a celebração eucarística em nossas comunidades seria muito revitalizada.

A PESQUISA CLARIVIDENTE E A VIDA APÓS A MORTE

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Geoffrey Hodson


O assunto da palestra desta noite dificilmente pode deixar de ser do maior interesse e importância para cada um de nós; pois quem dentre nós já não foi chamado a experimentar a dor da separação, quem nunca sentiu o desejo de saber para onde foram os seres amados, e saber algo das condições da vida após a morte na qual entraram e onde todos nós deveremos entrar quando nos chegar a hora, a qual inevitavelmente chegará? É em relação a estas questões da vida humana que a Teosofia possui um poder especial de consolar e de iluminar. A Teosofia tem um poder de consolar porque afirma do modo mais positivo que existe sim uma vida além do túmulo, que só o corpo é que morre, enquanto que o imortal filho de Deus, o Ego real, perdura eternamente. A Teosofia reafirma o grande ensinamento bíblico que dá a solução para o problema da vida após a morte através das palavras: "Deus criou o homem para ser imortal; à imagem de Sua própria eternidade o criou". Aqui está, se a pudermos receber, a resposta verdadeira para a pergunta de se a vida continua após a morte.
A Teosofia também tem o poder de iluminar porque mostra como o homem pode conhecer por si mesmo, enquanto ainda sobre esta Terra, os fatos da vida além do túmulo. Ela ensina que no homem reside uma faculdade por meio da qual o véu que separa o mundo invisível de nossa visão pode ser erguido, e os fatos e fenômenos daquele mundo, as condições da vida nele, ser vistos, investigados, e compreendidos. Esta visão expandida, que é um sexto sentido, na maioria de nós latente, e desperta em uns poucos, será usada normal e naturalmente pelas raças vindouras. Quando desenvolvida e usada com propósito adequado nos dias de hoje, esta faculdade habilita seu possuidor a fazer o que farão as raças futuras da humanidade: explorar sem intermediários e em plena consciência os mundos da vida depois da morte, encontrar seus habitantes face a face, e estudar com precisão científica as condições em que vivem.
Esta é uma declaração momentosa, e, se verídica, demanda profunda consideração. Não é meu escopo agora; não posso, portanto, dar-lhe o tempo que merece. Devo pedir-lhes que aceitem a existência desta faculdade como uma hipótese, passível de teste e confirmação no devido tempo, pois quase todos os ensinamentos Teosóficos relativos aos mundos invisíveis são obtidos pelo uso desta visão expandida como instrumento de pesquisa.
Se tomarem como certa a existência desta faculdade – não o psiquismo negativo do médium em transe, mas o poder positivo e treinado sob controle da vontade, exatamente como a visão física – se você aceitar isso, então imagine comigo que estamos na câmara da morte, observando com o olho clarividente a passagem, deste mundo para o outro, de alguém morrendo de velhice ou doença: O que vemos?
Quando a hora da liberação se aproxima, vemos as forças vitais do corpo sendo retiradas das extremidades e concentradas no coração, visíveis como um brilhante foco de luz. Depois disso, a sensitividade dos membros inferiores grandemente diminui. Então, chegando a morte mais perto, as forças vitais são retiradas ainda mais e se concentram no meio da cabeça, no terceiro ventrículo do cérebro, que é o centro da consciência egóica durante a vida física.
O moribundo pode ou não estar ainda consciente fisicamente. Se está inconsciente, em um estado de coma pré-morte, ele será visto pela visão clarividente já fora do corpo, em seu veículo supra-físico. Este veículo é feito de matéria muito mais fina do que nosso éter, e em seus contornos se assemelha muito ao corpo físico; de fato, é a sua réplica. Na aparência, difere do físico na medida em que a matéria de que é constituído é auto-luminosa, de modo que brilha como se iluminado a partir de dentro, e é rodeado por uma atmosfera, visível como uma luz de cores constantemente cambiantes.
Estas cores da aura, como é chamada esta atmosfera, correspondem aos estados de consciência e são vistas a variar com cada mudança de sentimento ou pensamento. Existe, de fato, uma verdadeira ciência a que posso me referir de passagem: a ciência da correlação dos estados de consciência com as cores da aura. Uma efusão de simpatia por alguém sofrendo ou com problemas, por exemplo, inundará a aura de verde; um esforço intelectual a inundará de amarelo. Esta audiência bem agora apresenta uma grande quantidade do amarelo da atividade intelectual. Esta cor particular fica bem acima e atrás da cabeça, e provavelmente deu origem à auréola dos Santos, ainda que qualquer um a apresente durante o processo de pensamento. O azul denota atividade devocional; o violeta, espiritualidade; rosa com acentos de roxo, amor. O vermelho é a cor a raiva e da irritabilidade; o marrom, do egoísmo; e assim por diante. Como foi dito, estas cores são vistas pela visão clarividente, de modo que olhando para as auras das pessoas é possível dizer que tipo de pensamentos elas habitualmente expressam, e descobre-se seus temperamentos e caracteres. Naturalmente, este poder não é usado exceto com a devida permissão das pessoas e para propósitos de pesquisa.
Assim, a aura será visível em torno da pessoa moribunda, que, fisicamente inconsciente, está agora fora de seu corpo físico, flutuando logo acima dele, e a ele ligada por uma corrente de forças fluentes que brilham com uma delicada luz prateada. Esta corrente flui entre a cabeça do corpo físico e a cabeça do supra-físico, interligando-os, e enquanto ela permanece fluindo existe sempre a possibilidade do despertar físico; uma vez rompida, como no momento da morte, já não há possibilidade de retorno. Todos os casos de aparente ressuscitação na verdade são apenas retornos a corpos ainda vivos.
O moribundo pode retornar temporariamente ao seu corpo, e abrindo os olhos pode ver alguns dos fenômenos do outro mundo, fazer referência a pessoas não fisicamente presentes. Quando chega o verdadeiro momento da morte, o "cordão prateado" é visto se romper, e o homem subir como se liberado da atração gravitacional. Ainda que não tenha certeza absoluta, estou inclinado a pensar que o momento exato da morte de cada um de nós está pré-fixado, mas sendo isto assim ou não, chega a hora, o cordão quebra, o homem se libera de seu corpo e já não pode despertar nele novamente. Os sinais da morte aparecem. Seu trabalho está feito.
Em quase todos os casos, o homem fica tão inconsciente de estar à morte que é como se caísse no sono. Ele passa, num átimo, deste mundo para o outro. Geralmente ele empreende um processo de retrospecção no qual os eventos de sua vida passam rapidamente diante de seu olho mental em clara perspectiva; causas e efeitos, sucessos e seus resultados, fracassos e suas conseqüências, são correlacionados. Este processo de revisão é muito importante, pois dele deriva um pouco de sabedoria: a colheita da vida recém encerrada. È por esta razão que devemos estar calmos mental, emocional e fisicamente na câmara da morte, e não deixemos que excessos de dor perturbem o ser amado neste processo tão importante. Ele agora vive em seu corpo sutil, o corpo de sentimento, e portanto está altamente sensível às forças do pensamento e da emoção. Nossos pensamentos devem corretamente se voltar ao amor para com ele, em bênçãos e aspiração por seu progresso nos mundos internos, mas com calma e autocontrole. Na Teosofia somos ensinados a não nos concentrarmos tanto em nossa grande perda, mas no ganho transcendente do morto; e este ganho transcendente é libertar-se do corpo físico e suas limitações.
Tendo a revisão terminado, segue-se geralmente um período de completa inconsciência que pode durar de 36 a 48 horas, dependendo do indivíduo. Então sucede o despertar na nova vida, e o homem, freqüentemente ainda sem saber o que aconteceu, olha em seu redor. Em quase todos os casos algum amigo ou parente o está esperando; ou se ele não tem ninguém assim para recebê-lo na nova vida, então algum membro do grande grupo de auxiliares, cujo trabalho é dar as boas-vindas aos recém-chegados, se adianta para acolhê-lo. Tais auxiliares são membros de uma grande e altamente treinada companhia de servidores designados para este trabalho especial de assistir os recém-chegados. Eles os acolhem, explicam a nova vida, e os ajudam a se estabelecer nela tão confortavelmente quanto possível. Poucos – se algum há hoje em dia – entram neste mundo sem que alguma mão lhes seja estendida para dar-lhes boas-vindas e ajudá-los nos primeiros estágios da nova vida. Qual é a natureza desta nova vida?
Neste ponto devo dizer uma coisa que pode ser difícil de acreditar, mas desde que eu sei que é verdade, e da maior importância em nosso estudo, devo colocá-la para vocês. É que o mundo para onde foram nossos amigos, e para onde todos iremos quando chegar nossa vez, não é uma terra estranha, pois entramos nela todas as noites quando nossos corpos físicos dormem. O sono tem sido correta e verdadeiramente chamado de gêmeo da morte. Podemos ir mais adiante e dizer a mesma coisa, pois enquanto o corpo físico dorme estamos despertos no corpo que usaremos depois da morte. Nossos sonhos são em parte memórias confusas de nossa vida naquele mundo, que trazemos de volta ao despertar. A diferença entre o sono e a morte está no fato de que no sono o "cordão prateado" que nos liga ao corpo não é rompido, e quando já não possuímos este elo com o corpo físico não podemos voltar a ele. Portanto, não é em uma terra estranha que acordamos depois da morte física, pois todos a conhecemos bem, e em muitos casos já temos um lugar e um trabalho lá.
O próximo princípio geral que desejo apresentar-lhes é que as condições em que uma pessoa se acha depois da morte dependem quase inteiramente de seu temperamento e da natureza da vida que levou no plano físico. Todos vemos o mundo à nossa volta através das janelas de nosso temperamento. Os dotados de jovialidade e temperamento amistoso despertam para um mundo jovial e amistoso; ao passo que os indivíduos melancólicos e auto-centrados podem acordar em um mundo rude, tristonho e algo solitário – não porque este mundo seja solitário, mas porque o indivíduo auto-centrado não inspira nem é capaz de conceder amizade. Felizmente, a dor do tédio e do isolamento que estas pessoas inconscientemente criaram para si mesmas as impele a uma mudança de atitude para com a vida.
Passando agora da exposição geral para particularidades, a investigação clarividente revela nos recém-chegados uma tendência de prosseguir, na nova vida, em formas sublimadas das ocupações que mais os atraíram na Terra. Assim, o cientista pesquisador cujo ideal na Terra foi o de encontrar a verdade acha que pode procurá-la ali como o fazia aqui. Ele descobre, ainda, que estas investigações são muito mais frutíferas lá do que aqui, porque, tendo deixado o mundo da matéria mais densa, está consciente numa substância muito mais refinada e mais próximo do mundo das causas; e é na consciência superior e no mundo das causas que reside a verdade e o entendimento. Ele descobre que muitos dos fatores na estrutura da matéria e da evolução, que previamente lhe estavam vedados, agora estão-lhe objetivamente revelados. As leis e forças sob as quais os átomos se combinam em certas formas para fazer moléculas dos diferentes elementos, o desenvolvimento da célula desde o protoplasma, de uma simples célula até o homem, o grande mistério do biólogo, são entendidos muito mais claramente ali, pois a operação da Mente Divina e Suas encarnações podem ser observadas em toda parte. As forças fluentes das quais este mundo físico é um produto ilusório são visíveis como são no mundo além deste. Os grandes engenheiros do Logos, os seres que dirigem o fluxo destas forças, operam e administram os processos e leis da Natureza, as hostes angélicas, podem ser vistas trabalhando, e delas muito pode ser aprendido. O cientista pesquisador se encontra então em um mundo onde seu trabalho é muito mais frutífero do que na Terra. De fato, no mundo pós-morte encontramos grupos de cientistas, reunidos por afinidade de temperamento, absortos em sua costumeira busca de conhecimento, equipados de laboratórios, observatórios e estações de pesquisa, e não só investigando, mas também ensinando. Pois ali há uma continuidade na educação; os cientistas e todos os outros trabalhadores especializados tendem a seguir sua própria inclinação, passando seu tempo a deslindar os problemas que aparecem em seu trabalho, e continuando aquele trabalho em um grau de perfeição muito mais alto daquele possível na Terra. Muito freqüentemente, idéias descobertas assim nos mundos internos são captadas por mentes ainda encarnadas na Terra, pois há uma constante troca de pensamentos entre os moradores de ambos os mundos.
De modo similar, o artista para quem a meta é a beleza, vê que naquele mundo sua aspiração pode ser levada muito mais para perto de sua consumação do que foi possível no mundo da matéria física densa. Se ele for pintor ou escultor, ele não precisará mais produzir suas visões com os toscos pigmentos da Terra, mas automática e instantaneamente a matéria responsiva do outro mundo assume as formas imaginadas por seu pensamento. E não só sua visão se objetiva diante dele, mas percebe, para seu grande júbilo, que ele pode refiná-la e modificá-la até que uma relativa perfeição seja obtida. E porque os grupos se reúnem mais por afinidade de temperamento do que por relações de raça ou de sangue, ele se descobre mais perto de seu próprio tipo, um membro, provavelmente, de um dos muitos grupos de trabalhadores semelhantes dedicados à busca da beleza, a descobrir através da beleza os seus Eus mais altos.
Também para o músico se abre o caminho para uma compreensão mais profunda de sua arte. A música tem, nos planos internos, aspectos que ele normalmente pouco conhece aqui embaixo. O músico descobre, por exemplo, que a música já não é tanto ouvida, mas vista. Se a música física é vista pelo olho clarividente, é vista produzindo formas na matéria brilhante e auto-luminosa dos mundos interiores, e esta matéria viva e responsiva sendo moldada em formas iridescentes e mutantes por virtude do som e da intenção da música. Nos planos internos, ainda, pode ser ouvida a verdadeira Canção da Criação, aquela Palavra Divina sempre pronunciada que é o tema da grande sinfonia da criação.
A estranha responsividade da matéria dos mundos internos a cada mudança de pensamento e sentimento é uma das primeiras descobertas que o estudante faz quando seus olhos interiores são abertos. Ele descobre, assim como o fazem os que entram nestes mundos após a morte, que o pensamento é um poder estupendo, capaz de afetar as vidas alheias bem como de auxiliá-lo deste modo, se o usar corretamente.
O reformador, o servidor, o curador, o médico, cada um encontra, se pode entrar ali, um novo mundo de serviço se abrindo diante de si. Se está nele o espírito do verdadeiro curador, o médico verá acorrendo para ele em busca de ajuda homens e mulheres com mentes e sentimentos confusos e torturados, pessoas que morreram com a consciência pesada, com deveres abandonados, vícios desenfreados, tortuosidades de visão, complexos e outros distúrbios psíquicos. Estas condições são muito maiores fontes de dificuldades lá do que aqui, pois aquele é o mundo da emoção. Pessoas assim perturbadas têm grande necessidade do serviço de um médico. Existe, de fato, uma grande companhia de trabalhadores dedicados a esta tarefa de re-sintonizar e re-harmonizar aqueles necessitados.
O homem de negócios, desde os primeiros dias depois de seu passamento, tende a gravitar pela força do hábito a seus antigos estabelecimentos; mas ele logo descobre que já não pode afetar seus colegas. Eles não mais respondem à sua presença ou aos seus pensamentos. Sequer sabem que ele está ali entre eles.
Felizmente, contudo, os mais largos interesses e a maior liberdade da nova vida, o corpo responsivo e vivaz que ele enverga, sua percepção de que as grandes causas dos negócios já não funcionam naquela esfera, e que conseqüentemente já não há muito com o que se ocupar nesta linha, muito cedo o afasta de preocupações físicos. A vida após a morte pode de fato ser o começo de uma liberdade muito mais maravilhosa; pois as aborrecidas necessidades dos negócios que, sem dúvida para nosso próprio bem, nos mantêm ocupados aqui e tendem a acorrentar nossos pensamentos e sentimentos a coisas materiais, já não existem mais.
A alimentação, por exemplo, sendo um dos grandes motivos dos negócios e dos esforços pessoais neste plano físico, deixa de ter significado ali, pois toda a nutrição que nossos corpos sutis necessitam é absorvida automaticamente da atmosfera. O ar ali, como aqui, está carregado da força vital de Deus, derramada através do Sol, e contém tudo o que é necessário para o sustento corporal naquele mundo. Todo o processo de sua absorção e assimilação é tão inconsciente como o respirar no plano físico. Portanto, a comida não é um problema ali, e sua provisão não é motivo de atividade com negócios.
Lá o vestuário é construído pelo pensamento. Já que a matéria do outro mundo responde instantaneamente ao pensamento, pensar em vestir-se é estar vestido. Enquanto encontramos pessoas ataviadas das mais diferentes maneiras, com os costumes de sua época e raça, a roupa mais geral pareceria ser um traje decente e folgado, cuja decoração e cor podem ser mudadas instantaneamente à vontade.
Transporte? Também nos movemos pelo impulso do pensamento. Pensar-se num lugar é mover-se até lá, rápida ou lentamente, à vontade, com um movimento delicioso e flutuante parecido ao vôo. Sonhos sobre o corpo sendo leve e facilmente deslocável, deslizando gentil ou agilmente pelo ar, são muitas vezes lembranças do modo usual de deslocamento no mundo da vida pós-morte.
A moradia, o quarto grande motivo de trabalho e esforço humano no plano físico, no outro mundo é também criada pelo pensamento. Lá, como aqui, as pessoas se reúnem em casas e cidades. A privacidade é tão necessária na vida após a morte quanto o é aqui na Terra, mas não o abrigo contra o clima, pois as condições climáticas adversas não se reproduzem lá.
Assim, a vida naquele mundo é tão variada e fascinante quanto a da Terra; na verdade, é muito mais, pois lá existe não apenas uma quase infinita variedade de atividades a escolher, mas cada uma delas pode ser executada melhor e durante um período muito mais longo do que na Terra, onde certas necessidades prementes estão sempre fazendo suas exigências. Há, por exemplo, não somente centros para a vida infantil, serviços para os recém-chegados e para aqueles necessitados, mas todas as atividades normais e saudáveis dos seres humanos que procuram mais luz e alegria e utilidade ao longo das linhas do conhecimento, do amor e da beleza. Também existem centros religiosos, e entrar em uma igreja naquele plano é descobrir que aquela religião eleva o crente a alturas muito maiores do que ele estava habituado na Terra. Isto se dá em parte porque os objetos da adoração são visíveis, sendo formas criadas pelo pensamento, e em parte porque a emoção lá é mais pura e mais poderosa. Na abside da igreja não haverá símbolos e vitrais, mas imagens vivas, talvez do Salvador do Mundo, de Santos, ou de Hostes Angélicas. Estes não são tanto fantasmas criados pela imaginação humana, mas representações vivas nas quais seus grandes Modelos derramam algo de Seu amor e consciência, e que usam como canais para o derramamento de bênçãos e de Seu poder. E uma vez que tudo isto é visível ali ao adorador, os serviços religiosos evocam um fervor e uma profundidade de resposta raramente experimentadas aqui embaixo, e provêem uma crença religiosa fundamentada antes na experiência viva do que na fé cega.
Tais são as condições gerais que todos nós sem dúvida encontraremos quando nossa hora soar ou quando obtivermos o poder de ver clarividentemente aquele mundo enquanto ainda neste. Poderíamos completar esta descrição das condições normais com alguma informação sobre as anormais. Para os suicidas, por exemplo, parece haver pelo menos três tipos de experiência após a morte. O suicida que age por motivos nobres e altruístas, depois do choque que usualmente acompanha a morte súbita, geralmente se estabelece na nova vida na maneira normal que já descrevemos. Freqüentemente, nestes casos, não há nenhum coma prévio, e nenhum tempo onde a pessoa possa reajustar do modo usual sua consciência às condições alteradas de sua vida, mas a verdadeira pureza de sua consciência o auxiliará a fazer este reajuste, a ver os fatos da vida nova numa perspectiva correta assim que seus olhos se abrem a ela.
Suicidas do segundo tipo, menos dignos porque motivados mais pelo egoísmo, mergulham num estado de suspensão da consciência imediatamente depois de deixarem o corpo físico, e permanecem neste estado até o momento em que sua morte normalmente chegaria. Então, por virtude de alguma lei rítmica, eles despertam, e assumem sua posição na nova vida. É este fato de despertarem quando o termo natural de sua vida física ocorreria que me leva a acreditar que a hora exata da morte é pré-fixada – por nossa própria conduta, é claro – pois, à parte o suicídio, existe um momento para ocorrer a morte natural que é pré-fixado para cada um de nós.
O terceiro tipo de suicida é ainda menos invejável. Envolve homens, bastante rudes e sensuais, que o cometem no auge de sua vida, freqüentemente impelidos pela paixão ou pelo medo. Na vida nova ainda estão acorrentados às coisas da Terra; seus desejos grosseiros os mantém ligados à Terra; eles podem ver a réplica do plano físico na matéria sutil, e, incapazes de libertar-se dele, vivem no limbo entre este mundo e o outro. Governados por desejos e paixões que não podem satisfazer completamente, procuram gratificação entrando em locais do plano físico de permissividade sensual, unindo suas consciências com a dos bêbados ou dos lascivos que se comprazem lá. Nestas circunstâncias as pessoas no plano físico experimentam uma intensificação dos seus desejos, de modo que este relacionamento, mesmo quando inconsciente, é tão daninho para elas como para as almas acorrentadas à Terra que obtêm gratificação por meio das outras.
Para o Teósofo, possuidor deste conhecimento, o suicídio é sempre um erro. O suicídio não resolve nenhum problema, e dá origem a novos, complicando destarte a situação de onde é usado como meio de escapar. Pois, em algum momento, todas as obrigações devem ser enfrentadas, cada dívida paga, cada sofrimento experimentado integralmente. "Com Deus não se brinca: pois o que quer que o homem semeie, há de colher". È muito melhor, então, suportar uma situação, não importa quão dolorosa seja, do que tentar evadir-se, perpetuando e intensificando suas dificuldades, porque traz a complicação adicional do auto-assassinato, cuja repercussão kármica pode afetar adversamente sucessivas encarnações.
A pessoa que morre em conseqüência de um vício passa uma temporada decididamente desagradável, pois agora está vivendo em seu corpo emocional, e conseqüentemente experimenta seu desejo particular com uma intensidade inaudita, pois a matéria densa do corpo físico em muito o reduz ou atenua. Sem meios de gratificar este vício, este necessariamente arde nele até consumir-se, freqüentemente por semanas ou meses de intenso sofrimento. Se em algum lugar existe um inferno, é nesta situação de desejo intenso e insatisfactível. Este inferno tem pelo menos quatro diferenças do Inferno da religião ortodoxa. Primeiro, não é um lugar; é um estado de consciência, assim como o Céu. De acordo com a condição de nossa consciência podemos estar nele independentemente de onde esteja nosso corpo. Segundo, este sofrimento não é imposto como uma punição após o julgamento por uma autoridade externa; é auto-induzido, assim como todo o sofrimento e toda a alegria. São colheitas naturais e automáticas de semeaduras anteriores. Terceiro, o sofrimento causado pelo desejo insatisfeito não é uma punição eterna. Nem mesmo um pai humano seria tão irracional e cruel a ponto de condenar seu filho a uma punição eterna por um pecado cometido no tempo. Ao contrário, tudo o que tem início deve terminar no devido tempo. O sofrimento pós-morte resultante de um vício não dominado perdura somente enquanto perdura a energia gasta na sua gratificação. Quando se dissipa esta energia, o homem livra-se dele, e começa sua nova vida. A última diferença entre esta condição e aquela normalmente associada à idéia ortodoxa do Inferno é que tal sofrimento de modo algum é vão. Ao contrário, pode ser frutífero ao extremo. Pois pela sua intensidade ele se grava quase permanentemente na consciência do sofredor, que, discernindo assim causa e efeito, aprende sua lição doravante para sempre. Esta percepção pelo homem interior afeta sua próxima vida, na qual ele provavelmente demonstrará uma intensa repugnância por aquela forma de auto-indulgência. Sem dúvida é por esta razão que as condições imediatas de depois da morte são consideradas como purgatoriais.
Concluindo, umas poucas palavras talvez possam ser ditas sobre as crianças após a morte. Àqueles que experimentaram a mais difícil de suportar dentre todas as separações, a perda de uma criança, eu diria que se vocês pudessem ver a felicidade para onde foi a criança, sua dor seria enormemente aliviada. No outro mundo, a vida de uma criança é adorável, jubilosa, cheia de felicidade. As crianças lá são cuidadas tão ternamente quanto os mais sábios e bondosos dos pais as cuidariam, por aqueles que naquele plano se devotaram a este serviço, e muitas vezes são assistidos por membros das hostes angélicas. Existem centros para a vida infantil no mundo interno. São uma combinação de lar, escola e universidade, em belíssimas instalações, onde as crianças são guiadas, treinadas e amadas. Seus parentes e amigos vêm a elas durante o sono, algumas vezes ajudam nas lições de sua nova vida. As crianças, portanto, não perdem a companhia dos que amam, e conhecem pouquíssimo sobre dor ou perda.
A criança, após a morte, ou completa o ciclo normal através dos planos emocionais e mentais de volta ao Ego, ou reencarna rapidamente. No primeiro caso, ela "cresce" para uma jovial maturidade, muito bela, muito refinada em aspecto, delicadamente espiritualizada, com olhos suaves e luminosos. Então, por ocasião da segunda morte, como algumas vezes é chamada, quando o corpo emocional é abandonado e a consciência funciona no corpo mental, encontra lá uma felicidade e uma paz ainda mais perfeitas. Este estado corresponde ao Paraíso da ortodoxia. Nele, a criança colhe, assim como todos que completam o ciclo do nascimento e morte, os frutos de todas as aspirações idealísticas e espirituais, e quando tiverem se esgotado, o corpo mental é descartado e a consciência que realizou a peregrinação se retira para dentro de sua Essência, enriquecida e desenvolvida por todas as experiências por que passou.
Parece, contudo, que a reencarnação rápida é a regra no caso das crianças mortas muito cedo. Talvez tenha sido pago assim algum débito para com a Natureza, alguma transgressão que incorreu numa vida anterior, talvez o suicídio. Abre-se então o caminho para uma bem-sucedida reentrada na encarnação física, mantendo-se os mesmos corpos mental e emocional juvenis. Encontram-se os pais – geralmente os mesmos – e a mãe engravida uns dois ou três anos depois da perda anterior. Muitas mães parecem saber instintivamente que o mesmo Ego voltou para eles. Muitas têm-me assegurado disso, e de seu interesse e deleite ao notar que a aparência e os modos da nova criança em parte corroboram esta intuição. A nova encarnação continua, então, o seu curso normal.
Assim, percebemos que na perda de uma criança, por mais dolorosa que inevitavelmente possa ser, não há motivo para que nos lamentemos. Mesmo se nossos pequenos não voltam para nossos braços, não os teremos perdido; eles estão conosco, como estão os nossos mortos amados, aqui e agora, todos junto de nós, mas temporariamente longe da visão. Mesmo que não possamos vê-los, por falta da visão necessária, eles enfim não desapareceram, não cessaram de existir. Se realmente os amamos, nossos Eus imortais são unos com os deles para sempre, e quando dormimos estamos em sua companhia imediata. Quando chegar nossa hora de entrar nos mundos mais elevados, os reencontraremos, e nesta reunião perceberemos a infalível unidade de todos os que realmente amam.
Pode ser este nosso último pensamento: não há nada a temer na morte. Raramente existe qualquer indivíduo consciente do ato de deixar este corpo. Ele desliza como se para um sono, tranqüila e pacificamente, sem dor. A morte é apenas uma liberação para uma vida mais bela. O nascimento não é um início. A morte não é um fim. Ambos são acontecimentos repetitivos na longa série de vidas por onde ascendemos para o pleno conhecimento espiritual de nós mesmos, até o Adeptado. Apressemo-nos para aquela meta, reconhecendo a morte como só um incidente corpóreo no caminho. Fazendo isso, verdadeiramente a morte será "transformada em vitória".
Não há nenhuma morte para nós homens, pois somos todos Filhos imortais de Deus. A morte só existe no olho que a procura. A morte só afeta o corpo físico, e a liberdade dele nos libera em grande medida do poder cegante da matéria. Pois este corpo, e esta matéria física de nosso mundo, ocultam de nós as realidades espirituais internas, assim como o véu do dia oculta as sempre rutilantes estrelas

AS 4 ETAPAS EVOLUTIVAS

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Na primeira fase o homem, recém-chegado do mundo animal, se deixa levar pela vida instintiva, e está pouco à vontade com as características da sua nova existência.
Na segunda fase, ele começa a descobrir que existe algo além do mundo físico que ele detecta com os cinco sentidos, e que tem condições de mudar algumas circunstâncias ligadas a sua vida ou à vida dos outros.
É a fase da descoberta do poder de manipular algumas energias sutis da natureza, e, como lê e ainda não dispõe de conhecimento (e, conseqüentemente, de entendimento ético), sua ação se enquadra como trabalho de feitiçaria.
Na terceira fase ele tenta introduzir na manipulação um sentido moral, organizando o conhecimento e criando as instituições religiosas. Essa tem sido a fase que a humanidade tem vivido nesses últimos milênios.
Nesta fase, o individuo ainda não tem um entendimento claro a respeito do uso do livre arbítrio, de modo que, de uma maneira geral, continua desrespeitando o direito das pessoas de gerenciar a própria vida.
As pessoas religiosas, principalmente quando se convencem que estão salvas, julgam e condenam os outros com muita facilidade; Acham até que têm obrigação de interfer no livre arbítrio dos outros, sob o pretexto de salvar-lhes a alma, numa operação de falta de respeito ao outro, que é a catequese. Elas, com a sua presunção de que são donas da verdade, ignoram completamente a dimensão do crime que estão cometendo.

E, finalmente, na quarta fase o homem se liberta, conscientemente, da tutela das instituições, com suas pretensões limitadoras do seu crescimento, e descobre que a responsabilidade da sua evolução é somente sua, de modo que passa a não permitir qualquer tipo de invasão ao seu livre arbítrio.
Nessa etapa, que ainda é um privilegio de uma minoria, o indivíduo está concluindo o seu ciclo evolutivo terrestre e se preparando para o seguinte, em outro planeta, ou para permanecer na Terra, ajudando os seus irmãos.
São esses indivíduos que já dispõem de grande parte do conhecimento necessário para usarem de forma mais adequada o seu livre arbítrio.

SÂNSCRITO, A LINGUAGEM DOS DEUSES

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Pedro Denis


"Escuta, ó Senhor das águas misturadas!
o imóvel dispersa-se
E o movente permanece."
Basavanna (século XII)

A LINGUAGEM DOS DEUSES
O sânscrito é uma língua clássica da Índia. É a língua litúrgica do Hinduísmo, do Budismo e do Jainismo e uma das 23 línguas oficiais da Índia. Sendo uma das mais antigas línguas indo-europeias, a sua influência é sentida nos principais idiomas ocidentais, estando na origem de quase todas as línguas europeias à excepção do finlandês, estónio, húngaro, turco e basco.

Tal como o latim e o grego na Europa Ocidental e o chinês clássico na Ásia Oriental, o sânscrito é considerada a base da maioria das línguas Indianas e está também presente em diversas línguas actuais não indianas como o vietnamita e o tailandês, entre outras. Sir William Jones, em 1786 num discurso proferido na Asiatic Society em Calcutá, considerou mesmo que o Sânscrito, o Grego e o Latim terão surgido de uma fonte comum, entretanto perdida.

Sem dúvida que parte significativa da expansão do sânscrito e da propagação do seu impacto se deve ainda ao facto de as escrituras budistas, nomeadamente as da linha Mahayana, terem adoptado esta forma escrita. Por esta via, o impacto da língua estendeu-se ao Tibete, China e outros países do extremo oriental da Ásia.

A sua presença na vida quotidiana do sub continente é ainda bem patente, tendo sido adoptado para o hino e diversos outros marcos de soberania e instituições, evidenciando assim uma função de língua franca e unificadora entre todos os indianos, contribuindo para cimentar o sentido de nacionalismo pós-independência. Em acréscimo, todas as descobertas e desenvolvimentos científicos indianos são denominados em sânscrito, à semelhança do que no ocidente se regista com o latim e o grego.

Apesar de ser primeira língua de menos de 10.000 pessoas e ser segunda língua de cerca de 200.000, o sânscrito é considerado o repositório das escrituras Hindus, e a sua utilização é comum em rituais religiosos e mantras. Actualmente, diversos esforços estão a ser realizados para tornar o sânscrito uma língua viva e utilizada de forma quotidiana em maior escala.
Pela sua sintaxe, o sânscrito é considerado uma língua ideal para programação informática, sendo a sua estrutura regular e matemática considerada uma característica assaz valiosa para esse efeito.

HISTÓRIA

"O sânscrito é uma linguagem para expressar Aquilo que transcende as palavras", o que pode levar a que, a uma única palavra, corresponda uma ideia complexa (p.ex.: karma, samsara e tantas outras), advindo daí nítidas dificuldades de tradução. Assim sendo, o conhecimento do sânscrito mostra-se essencial para aprofundar a compreensão da religiosidade e filosofia de origem indiana.

A palavra "sânscrito" pode significar "aquilo que foi bem feito", "refinado", "consagrado", "santificado" e assume popularmente o significado de "a linguagem dos Deuses". O seu alfabeto - o devanagari, "a escrita da cidade dos Deuses" - é uma escrita alfabeto-silábica usada desde o século XII por diversas línguas como o hindi, o kashmiri e o nepali, entre tantas outras. No entanto, virtualmente, todos os sistemas de escrita do sul da Ásia terão sido usados para a produção de textos em sânscrito sendo os mais antigos (século III a.C.) atribuídos ao imperador Ashoka, um dos grandes impulsionadores do budismo.

Entre as formas simplificadas de sânscrito destaca-se o Pali, língua na qual foi registado o cânone do budismo theravada.

O sânscrito pode ser dividido em Clássico e Védico e o mais antigo tratado gramatical que se conhece, Ashtadhyayi da autoria de Panini, remonta ao século V a.C., tendo sido, posteriormente, comentado por diversos autores, entre os quais Patanjali. No entanto, o desenvolvimento do sânscrito terá sido iniciado cerca de 1500 a.C., sendo nesta língua os manuscritos mais antigos da literatura universal - os Vedas. É de salientar que existem evidências que apontam para uma tradição oral "védica" anterior à forma escrita, consequência directa do facto de estes ensinamentos serem considerados incriados e eternos, "a linguagem da realidade" e revelados aos rishis - indivíduos dotados de uma capacidade especial de percepção destes sons eternos. Cada palavra apresenta, assim, um significado inato e eterno, mostrando o seu poder místico quando correctamente pronunciada. Consequentemente, um aprendizado ou repetição errónea dos Vedas era considerado um pecado potenciador de nefastos e imediatos efeitos. Trabalhos recentes, nomeadamente o de Vagish Shastri, propõem o desenvolvimento de um método mnemónico de aprendizagem do sânscrito, baseando-se, para isso, numa gramática de características matemáticas.

O sânscrito védico apresenta claras semelhanças com o Avestan, base das escrituras do Zoroastrismo. O núcleo dos quatro Vedas - "conhecimento" ou "corpo de conhecimento", em sentido literal - é composto por mantras e textos religiosos.

O Rig Veda ("Sabedoria dos Versos") regista um estágio prematuro da religião védica e inclui referências a eventuais acontecimentos históricos, sendo a sua composição datada entre 1700 a.C. e 1100 a.C.. No entanto, diversos teóricos, tais como Bal Gangadhar Tilak, encontram neste texto referências astronómicas tão antigas quanto o ano 4000 a.C.. É ainda no Rig Veda que se apoiam diversos opositores da Teoria da Invasão Ariana, segundo a qual, os habitantes dos vales do Indus e do Sarasvati - dravidianos - terão sido invadidos e dominados por nómadas - arianos. No entanto, de acordo com o Rig Veda, estes dois povos sempre coexistiram. Desde a sua redacção, o Rig Veda tem sido dividido em duas versões: o Samhitapatha (para recitação) e o Padapatha (para memorização).

A tendência interpretativa actual do Rig Veda baseia-se numa vertente mais simbólica e mística, assente em processos transcendentais, numa perspectiva infinita do universo e numa categorização do conhecimento em inferior (relacionado com os objectos) e superior (relativo ao sujeito que percebe).

O Sama Veda ("Sabedoria dos Cânticos") é o segundo mais importante Veda e consiste, principalmente, de hinos retirados do Rig Veda e destinados a serem cantados pelos sacerdotes no decorrer das cerimónias religiosas. Existem, no entanto, algumas variações entre os textos de estes dois Vedas, sendo que a versão constante no Sama Veda aparenta ser mais antiga e original que a do Rig Veda.

O Yajur Veda ("Sabedoria dos Sacrifícios") inclui textos religiosos relativos à liturgia, rituais e sacrifícios e execução dos mesmos. Existem duas samhitas (colecções), Shukla e Krishna, incluindo, o primeiro, comentários adicionais e instruções detalhadas. O Shukla Yajur Veda apresenta duas variantes "regionais" e do Krishna Yajur Veda existem quatro versões. É nesta última colecção, Krishna Yajur Veda, que se pode encontrar o conhecido Gayatri mantra:

Om, bhuh, bhuvah, svah
tat savitur varenyam, bhargo
devasya dhimadhi, dhiyo yo nah pracodayat.
Om svah

("Meditamos sobre a Luz Divina do adorável Sol da Consciência Espiritual que estimula nosso poder de percepção espiritual.")

O Atharva Veda ("Sabedoria dos Sacerdotes Atharvan"), do qual existem actualmente duas versões, terá sido composto por dois grupos de rishis - apesar de algumas tradições atribuírem parte deste Veda a outros rishis - e representa uma tradição paralela e independente da do Rig Veda e do Yajur Veda. Dos principais rituais cobertos pelo Atharva Veda destacam-se os de casamento e funeral. É também no Atharva Veda que surgem as primeiras referências médicas na literatura indiana, sendo identificadas as causas de diversas doenças e apontada a sua cura. Alguns autores defendem mesmo a teoria de que este será um dos textos mais antigos em que é descrita a função e utilização de antibióticos. Em acréscimo, este texto apresenta o relato de diversos conflitos e regista, de forma descritiva, diversas armas utilizadas nos mesmos. Parte das mais significativas contribuições para o pensamento filosófico ariano surge neste Veda, sendo abordada, nomeadamente, a origem das coisas. Sendo um ensinamento transmitido, inicialmente, de forma oral, o mesmo terá sido corrompido por adições posteriores. No entanto, os hinos do Atharva Veda são consensualmente datados dos séculos XII a.C. a X a.C. (reinado dos Kurus).

O final do período védico é marcado pela composição dos Upanishads (comentários aos Vedas que pretendem expressar a essência dos mesmos, elaborados nos séculos VII a.C. a V a.C.), revelando estes um conteúdo activador de uma mudança de orientação filosófica e religiosa, passando a ser privilegiado o ascetismo interior, o ser humano e as antigas técnicas de yoga e meditação dos drávidas em detrimento do culto exotérico e ritualístico ariano, como forma de ultrapassar maya (a ilusão da realidade percebida pelos sentidos) e unir atman (a alma) a Brahman (a verdade suprema).

A forma mais significativa de Sânscrito Clássico, pós-Védico, surge nas grandes epopeias hindus Mahabharata e Ramayana.

O Mahabharata (A Grande Índia), inicialmente denominado Jaya (Vitória) e iniciado nos séculos IV a.C. ou III a.C., é o maior épico da literatura mundial (oito vezes a Ilíada e a Odisseia juntas) e inclui a obra mais conhecida no ocidente, o Bhagavad Gita (o Canto do Abençoado). Tradicionalmente, a sua autoria é atribuída a Vyasa. Contudo, este terá sido o autor apenas da primeira composição tendo esta recebido acréscimos ao longo dos séculos, tornando-se assim num autêntico repositório cultural, mitológico, religioso e filosófico de toda a cultura hindu. Em termos gerais, a obra retrata o conflito registado entre os Pandavas e os seus primos Kuravas pelo controlo de Hastinapur e o papel de Arjuna e do seu mestre, Krishna, no desenrolar dos acontecimentos.

Apesar de menor que o Mahabharata, o Ramayana (O Caminho de Rama) é equivalente a duas vezes a Ilíada e a Odisseia juntas, sendo a sua autoria atribuída a Valmiki (século IV a.C.). Tal como o Mahabharata, também o Ramayana evoluiu primeiro sob a forma oral, tendo sido passado à escrita muitos séculos depois da sua origem. O Ramayana ajudou ao desenvolvimento de uma religião mais popular e devocional e mais liberta dos sacrifícios. A obra retrata o exílio de Rama (inicialmente príncipe e, mais tarde, identificado com a sétima encarnação de Vixnu), o rapto da sua esposa, Sita, por Ravana, rei dos Rakshas, bem como a guerra de Lanka. A narrativa apresenta-se ainda como um conjunto de preceitos morais e éticos, orientadores da conduta e relacionamento humanos, assentando na observância do dharma.

A IMPORTÂNCIA DO SÂNSCRITO

Para além da perfeição linguística decorrente da sua característica matemática, já anteriormente mencionada, algo mais faz com que o sânscrito perdure, apesar dos milénios decorridos, e ganhe um novo interesse no mundo actual.

A capacidade que esta língua mostra para excitar o cérebro é complementada com o poder revelado para tocar o coração de todos quantos a ouvem, estudam e praticam. É esta ligação linguística com os arquétipos, este acesso directo aos planos superiores, esta via dupla - da cabeça e do coração - que identifica verdadeiramente o sânscrito como a "linguagem dos deuses".

"Aquele que é senhor de si
Experimenta as delícias
De estar mergulhado
Num oceano de ambrósia"
Shiva, o Senhor-do-Sono - Pushpadanta

DA BICORPOREIDADE E DA TRANSFIGURAÇÃO

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Aparições dos Espíritos de pessoas vivas. - Homens duplos. - Santo Afonso de Liguori e Santo Antônio de Pádua. -

Vespasiano. - Transfiguração. - Invisibilidade. 114. Estes dois fenômenos são variedades do das manifestações visuais e, por multo maravilhosos que pareçam à primeira vista, facilmente se reconhecerá, pela explicação que deles se pode dar, que não estão fora da ordem dos fenômenos naturais. Assentam ambos no princípio de que tudo o que ficou dito, das propriedades do perispírito após a morte, se aplica ao perispírito dos vivos. Sabemos que durante o sono o Espírito readquire parte da sua liberdade, isto é, isola-se do corpo e é nesse estado que, em muitas ocasiões, se tem ensejo de observá-lo. Mas, o Espírito, quer o homem esteja vivo, quer morto, traz sempre o envoltório semimaterial que, pelas mesmas causas de que já tratamos, pode tornar-se visível e tangível. Há fatos muito positivos, que nenhuma dúvida permitem a tal respeito. Citaremos apenas alguns exemplos, de que temos conhecimento pessoal e cuja exatidão podemos garantir, sendo que a todos é possível registrar outros análogos, consultando suas próprias reminiscências. 115. A mulher de um dos nossos amigos viu repetidas vezes entrar no seu quarto, durante a noite, houvesse ou não luz, uma vendedora de frutas que ela conhecia de vista, residente nas cercanias, mas com quem jamais falara. Grande terror lhe causou essa aparição, não só porque, na época em que se deu, ela ainda nada conhecia do Espiritismo, como também porque se produzia com multa freqüência. Ora, a vendedora de frutas estava perfeitamente viva e, àquelas horas, provavelmente dormia. Assim, enquanto, na sua casa, seu corpo material repousava, seu Espírito, com o respectivo corpo fluídico, ia à casa da senhora em questão. Por que motivo? É o que se não sabe. Diante de fato de tal natureza, um espírita, iniciado nessa espécie de fenômenos, ter-lho-ia perguntado; disso, porém, nenhuma idéia teve a senhora. De todas as vezes, a aparição se. eclipsava, sem que ela soubesse como, e, de todas igualmente, após a desaparição, cuidou de se certificar de que as portas estavam bem fechadas, de modo a não poder ninguém penetrar-lhe no aposento. Esta precaução lhe deu a prova de estar sempre completamente acordada na ocasião e de não haver sido joguete de um sonho. De outras vezes, viu, da mesma maneira, um homem que lhe era desconhecido e, certo dia, viu seu próprio irmão, que se achava na Califórnia. Este se lhe apresentou com a aparência tão perfeita de uma pessoa real, que, no primeiro momento, acreditou que ele houvesse regressado e quis dirigir-lhe a palavra. Logo, entretanto, o vulto desapareceu, sem lhe dar tempo a isso. Uma carta, que posteriormente lhe chegou, trouxe-lhe a prova de que o irmão, que ela vira, não morrera. Essa senhora era o que se pode chamar um médium vidente natural. Mas, então, como acima dissemos, ainda nunca ouvira falar em médiuns. 116. Outra senhora, residente na província, estando gravemente enferma, viu certa noite, por volta das dez horas, um senhor idoso, que residia na mesma cidade e com quem ela se encontrava às vezes na sociedade, mas sem que existissem relações estreitas entre ambos. Viu-o perto de sua cama, sentado numa poltrona e a tomar, de quando em quando, uma pitada de rapé. Tinha ares de vigiá-la. Surpreendida com semelhante visita a tais horas, quis perguntar-lhe por que motivo ali estava, mas o senhor lhe fez sinal que não falasse e tratasse de dormir. De todas as vezes que ela intentou dirigir-lhe a palavra, o mesmo gesto a impediu de fazê-lo. A senhora acabou por adormecer. Passados alguns dias, tendo-se restabelecido, recebeu a visita do dito senhor, mas em hora mais própria, sendo que dessa vez era ele realmente quem lá 'estava. Trazia a mesma roupa, a mesma caixa de rapé e os modos eram os mesmos. Persuadida de que ele a visitara durante sua enfermidade, agradeceu-lhe o incômodo a que se dera. O homem, muito espantado, declarou que havia longo tempo não tinha a satisfação de vê-la. A senhora, conhecedora que era dos fenômenos espíritas, compreendeu o de que se tratava: mas, não querendo entrar em explicações, limitou-se a dizer que provavelmente fora um sonho. É o mais provável, dirão os incrédulos, os "espíritos fortes", o que, para eles mesmos, é sinônimo de pessoas de espírito. O certo, entretanto, é que a senhora de quem falamos, do mesmo modo que a outra, não dormia. - Então, é que sonhara acordada, ou, por outra, tivera uma alucinação. - Aí está a palavra mágica, a explicação universal de tudo o que se não compreende. Como, porém, já rebatemos suficientemente essa explicação, prosseguiremos, dirigindo-nos aos que nos podem compreender. 117. Eis aqui agora outro fato ainda mais característico e grande curiosidade teríamos de ver como poderiam explicá-lo unicamente por meio da imaginação. Trata-se de um senhor provinciano, que jamais quisera casar-se, mau grado às instâncias de sua família, que muito insistira notadamente a favor de uma moça residente em cidade próxima e que ele jamais vira. Um dia, estando no seu quarto, teve a enorme surpresa de se ver em presença de uma donzela vestida de branco e com a cabeça ornada por uma coroa de flores. Disse-lhe que era sua noiva, estendeu-lhe a mão, que ele tomou nas suas, vendo-lhe num dos dedos um anel. Ao cabo de alguns instantes, desapareceu tudo. Surpreendido com aquela aparição, depois de se haver certificado de estar perfeitamente acordado, inquiriu se alguém lá estivera durante o dia. Responderam-lhe que na casa pessoa alguma fora vista. Decorrido um ano, cedendo a novas solicitações de uma parenta, resolveu-se a ir ver a moça que lhe propunham. Chegou à cidade onde ela morava, no dia da festa de Corpus-Christi. Voltaram todos da procissão e uma das primeiras pessoas que lhe surgiram ante os olhos, ao entrar ele na casa aonde ia, foi uma moça que lhe não custou reconhecer como a mesma que lhe aparecera. Trajava tal qual a aparição, porquanto esta se verificara também num dia de Corpus-Christi. Ficou atônito e a mocinha, por seu lado, soltou um grito e sentiu-se mal. Voltando a si, disse já ter visto aquele senhor, um ano antes, em dia igual ao em que estavam. Realizou-se o casamento. Isso ocorreu em 1835, época em que ainda se não cogitava de Espíritos, acrescendo que ambos os protagonistas do episódio são extremamente positivistas e possuidores da imaginação menos exaltada que há no mundo. Dirão talvez que ambos tinham o espírito despertado pela idéia da união proposta e que essa preocupação determinou uma alucinação. Importa, porém, não esquecer que o marido se conservara tão indiferente a isso, que deixou passar um ano sem ir ver a sua pretendida. Mesmo, todavia, que se admita esta hipótese, ainda ficaria pendendo de explicação a aparição dupla, a coincidência do vestuário com o do dia de Corpus-Christi e, por fim, o reconhecimento físico, reciprocamente ocorrido entre pessoas que nunca se viram, circunstâncias que não podem ser produto da imaginação. 118. Antes de irmos adiante, devemos responder imediatamente a uma questão que não deixará de ser formulada: como pode o corpo viver, enquanto está ausente o Espírito? Poderíamos dizer que o corpo vive a vida orgânica, que independe do Espírito, e a prova é que as plantas vivem e não têm Espírito. Mas, precisamos acrescentar que, durante a vida, nunca o Espírito se acha completamente separado do corpo. Do mesmo modo que alguns médiuns videntes, os Espíritos reconhecem o Espírito de uma pessoa viva, por um rastro luminoso, que termina no corpo, fenômeno que absolutamente não se dá quando este está morto, porque, então, a separação é completa. Por meio dessa comunicação, entre o Espírito e o corpo, é que aquele recebe aviso, qualquer que seja a distância a que se ache do segundo, da necessidade que este possa experimentar da sua presença, caso em que volta ao seu invólucro com a rapidez do relâmpago. Daí resulta que o corpo não pode morrer durante a ausência do Espírito e que não pode acontecer que este, ao regressar, encontre fechada a porta, conforme hão dito alguns romancistas, em histórias compostas para recrear. ( O Livro dos Espíritos, ns. 400 e seguintes.) 119. Voltemos ao nosso assunto. Isolado do corpo, o Espírito de um vivo pode, como o de um morto, mostrar-se com todas as aparências da realidade. Demais, pelas mesmas causas que temos exposto, pode adquirir momentânea tangibilidade. Este fenômeno, conhecido pelo nome de bicorporeidade, foi que deu azo às histórias de homens duplos, isto é, de Indivíduos cuja presença simultânea em dois lugares diferentes se chegou a comprovar. Aqui vão dois exemplos, tirados, não das lendas populares, mas da história eclesiástica. Santo Afonso de Liguori foi canonizado antes do tempo prescrito, por se haver mostrado simultaneamente em dois sítios diversos, o que passou por milagre. Santo Antônio de Pádua estava pregando na Itália, quando seu pai, em Lisboa, ia ser supliciado, sob a acusação de haver cometido um assassínio. No momento da execução, Santo Antônio aparece e demonstra a Inocência do acusado. Comprovou-se que, naquele Instante, Santo Antônio pregava na Itália, na cidade de Pádua. Por nós evocado e interrogado, acerca do fato acima, Santo Afonso respondeu do seguinte modo: lª Poderias explicar-nos esse fenômeno? "Perfeitamente. Quando o homem, por suas virtudes, chegou a desmaterializar-se completamente; quando conseguiu elevar sua alma para Deus, pode aparecer em dois lugares ao mesmo tempo. Eis como: o Espírito encarnado, ao sentir que lhe vem o sono, pode pedir a Deus lhe seja permitido transportar-se a um lugar qualquer. Seu Espírito, ou sua alma, como quiseres, abandona então o corpo, acompanhado de uma parte do seu perispírito, e deixa a matéria imunda num estado próximo do da morte. Digo próximo do da morte, porque no corpo ficou um laço que liga o perispírito e a alma à matéria, laço este que não pode ser definido. O corpo aparece, então, no lugar desejado. Creio ser isto o que queres saber." 2ª Isso não nos dá a explicação da visibilidade e da tangibilidade do perispírito. "Achando-se desprendido da matéria, conformemente ao grau de sua elevação, pode o Espírito tornar-se tangível à matéria." 3ª Será indispensável o sono do corpo, para que o Espírito apareça noutros lugares? "A alma pode dividir-se, quando se sinta atraída para lugar diferente daquele onde se acha seu corpo. Pode acontecer que o corpo não se ache adormecido, se bem seja isto muito raro; mas, em todo caso, não se encontrará num estado perfeitamente normal; será sempre um estado mais ou menos extático." NOTA. A alma não se divide, no sentido literal do termo: irradia-se para diversos lados e pode assim manifestar-se em muitos pontos, sem se haver fracionado. Dá-se o que se dá com a luz, que pode refletir-se simultaneamente em muitos espelhos. 4ª Que sucederia se, estando o homem a dormir, enquanto seu Espírito se mostra noutra parte, alguém de súbito o despertasse? "Isso não se verificaria, porque, se alguém tivesse a intenção de o despertar, o Espírito retornaria ao corpo, prevendo a intenção, porquanto o Espírito lê os pensamentos." NOTA. Explicação inteiramente idêntica nos deram, muitas vezes, Espíritos de pessoas mortas, ou vivas. Santo Afonso explica o fato da dupla presença, mas não a teoria da visibilidade e da tangibilidade. 120. Tácito refere um fato análogo: Durante os meses que Vespasiano passou em Alexandria, aguardando a volta dos ventos estivais e da estação em que o mar oferece segurança, muitos prodígios ocorreram, pelos quais se manifestaram a proteção do céu e o interesse que os deuses tomavam por aquele príncipe... Esses prodígios redobraram o desejo, que Vespasiano alimentava, de visitar a sagrada morada do deus, para consultá-lo sobre as coisas do império. Ordenou que o templo se conservasse fechado para quem quer que fosse e, tendo nele entrado, estava todo atento ao que ia dizer o oráculo, quando percebeu, por detrás de si, um dos mais eminentes Egípcios, chamado Basílide, que ele sabia estar doente, em lugar distante muitos dias de Alexandria. Inquiriu dos sacerdotes se Basílide viera naquele dia ao templo; inquiriu dos transeuntes se o tinham visto na cidade; por fim, despachou alguns homens a cavalo, para saberem de Basílide e veio a certificar-se de que, no momento em que este lhe aparecera, estava a oitenta milhas de distância. Desde então, não mais duvidou de que tivesse sido sobrenatural a visão e o nome de Basílide lhe ficou valendo por um oráculo. (Tácito: Histórias, liv. IV, caps. LXXXI e LXXXII. Tradução de Burnouf.) 121. Tem, pois, dois corpos o indivíduo que se mostra simultaneamente em dois lugares diferentes. Mas, desses dois corpos, um somente é real, o outro é simples aparência. Pode-se dizer que o primeiro tem a vida orgânica e que o segundo tem a vida da alma. Ao despertar o indivíduo, os dois corpos se reúnem e a vida da alma volta ao corpo material. Não parece possível, pelo menos não conhecemos disso exemplo algum, e a razão, ao nosso ver, o demonstra, que, no estado de separação, possam os dois corpos gozar, simultaneamente e no mesmo grau, da vida ativa e inteligente. Demais, do que acabamos de dizer ressalta que o corpo real não poderia morrer, enquanto o corpo aparente se conservasse visível, porquanto a aproximação da morte sempre atrai o Espírito para o corpo, ainda que apenas por um instante. Daí resulta igualmente que o corpo aparente não poderia ser matado, porque não é orgânico, não é formado de carne e osso. Desapareceria, no momento em que o quisessem matar. 122. Passemos ao segundo fenômeno, o da transfiguração. Consiste na mudança do aspecto de um corpo vivo. Aqui está um fato dessa natureza cuja perfeita autenticidade podemos garantir, ocorrido durante os anos de 1858 e 1859, nos arredores de Saint-Etienne. Uma mocinha, de mais ou menos quinze anos, gozava da singular faculdade de se transfigurar, isto é, de tomar, em dados momentos, todas as aparências de certas pessoas mortas. Tão completa era a ilusão, que os que assistiam ao fenômeno julgavam ter diante de si a própria pessoa, cuja aparência ela tomava, tal a semelhança dos traços fisionômicos, do olhar, do som da voz e, até, da maneira particular de falar. Esse fenômeno se repetiu centenas de vezes sem que a vontade da mocinha ali interferisse. Tomou, em várias ocasiões, a aparência de seu irmão, que morrera alguns anos antes. Reproduzia-lhe não somente o semblante, mas também o porte e a corpulência. Um médico do lugar, testemunha que fora, muitas vezes, desses estranhos efeitos, querendo certificar-se de que não havia naquilo ilusionismo, fez a experiência que vamos relatar. Conhecemos os fatos, pelo que nos referiram ele próprio, o pai da moça e diversas outras testemunhas oculares, muito honradas e dignas de crédito. Veio a esse médico a idéia de pesar a moça no seu estado normal e de fazer-lhe o mesmo no de transfiguração, quando apresentava a aparência do irmão, que contava, ao morrer, vinte e tantos anos, e era mais alto do que ela e de compleição mais forte. Pois bem! verificou que, no segundo estado, o peso da moça era quase duplo do seu peso normal. Concludente se mostra a experiência, tornando impossível atribuir-se aquela aparência a uma simples ilusão de ótica. Tentemos explicar esse fato, que noutro tempo teria sido qualificado de milagre e a que hoje chamamos muito simplesmente fenômeno. 123. A transfiguração, em certos casos, pode originar-se de uma simples contração muscular, capaz de dar à fisionomia expressão muito diferente da habitual, ao ponto de tornar quase irreconhecível a pessoa. Temo-lo observado freqüentemente com alguns sonâmbulos; mas, nesse caso, a transformação não é radical. Uma mulher poderá parecer jovem ou velha, bela ou feia, mas será sempre uma mulher e, sobretudo, seu peso não aumentará, nem diminuirá. No fenômeno com que nos ocupamos, há mais alguma coisa. A teoria do perispírito nos vai esclarecer. Está, em princípio, admitido que o Espírito pode dar ao seu perispírito todas as aparências; que, mediante uma modificação na disposição molecular, pode dar-lhe a visibilidade, a tangibilidade e, conseguintemente, a opacidade; que o perispírito de uma pessoa viva, isolado do corpo, é passível das mesmas transformações; que essa mudança de estado se opera pela combinação dos fluidos. Figuremos agora o perispírito de uma pessoa viva, não isolado, mas irradiando-se em volta do corpo, de maneira a envolvê-lo numa espécie de vapor. Nesse estado, passível se torna das mesmas modificações de que o seria, se o corpo estivesse separado. Perdendo ele a sua transparência, o corpo pode desaparecer, tornar-se invisível, ficar velado, como se mergulhado numa bruma. Poderá então o perispírito mudar de aspecto, fazer-se brilhante, se tal for a vontade do Espírito e se este dispuser de poder para tanto. Um outro Espírito, combinando seus fluidos com os do primeiro, poderá, a essa combinação de fluidos, imprimir a aparência que lhe é própria, de tal sorte, que o corpo real desapareça sob o envoltório fluídico exterior, cuja aparência pode variar à vontade do Espírito. Esta parece ser a verdadeira causa do estranho fenômeno e raro, cumpra se diga, da transfiguração. Quanto à diferença de peso, explica-se da mesma maneira por que se explica com relação aos corpos inertes. O peso intrínseco do corpo não variou, pois que não aumentou nele a quantidade de matéria. Sofreu, porém, a influência de um agente exterior, que lhe pode aumentar ou diminuir o peso relativo, conforme explicamos acima, ns. 78 e seguintes. Provável é, portanto, que, se a transformação se produzir, tomando a pessoa o aspecto de uma criança, o peso diminua proporcionalmente. 124. Concebe-se que o corpo possa tomar outra aparência de dimensão igual ou maior do que a que lhe é própria. Como, porém, lhe será possível tomar uma de dimensão menor, a de uma criança, conforme acabamos de dizer? Neste caso, não será de prever que o corpo real ultrapasse os limites do corpo aparente? Por isso mesmo que tal se pode dar, não dizemos que o fato se tenha produzido. Apenas, reportando-nos à teoria do peso específico, quisemos fazer sentir que o peso aparente houvera podido diminuir. Quanto ao fenômeno em si, não afirmamos nem a sua possibilidade, nem a sua impossibilidade. Dado, entretanto, que ocorra, a circunstância de se lhe não oferecer uma solução satisfatória de nenhum modo o infirmaria. Importa se não esqueça que nos achamos nos primórdios da ciência e que ela está longe de haver dito a última palavra sobre esse ponto, como sobre muitos outros. Aliás, as partes excedentes poderiam ser perfeitamente tornadas invisíveis. A teoria do fenômeno da invisibilidade ressalta muito naturalmente das explicações precedentes e das que foram ministradas a respeito do fenômeno dos transportes, ns. 96 e seguintes. 125. Resta-nos falar do singular fenômeno dos agêneres que, por muito extraordinário que pareça à primeira vista, não é mais sobrenatural do que os outros. Porém, como o explicamos na Revue Spirite (fevereiro de 1859), julgamos inútil tratar dele aqui pormenorizadamente. Diremos tão-somente que é uma variedade da aparição tangível. E o estado de certos Espíritos que podem revestir momentaneamente as formas de uma pessoa viva, ao ponto de causar completa ilusão. (Do grego a privativo, e geine, geinomaï, gerar: que não foi gerado.)

Salomão, Estórias, Mitos e Lendas...

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Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.

" Somente os que constroem sobre idéias
é que constroem para a Eternidade "

Salomão é o nome mais respeitado que existe no seio de um imenso número de religiões, seitas e Sociedades Secretas. Por que Salomão se tornou tão importante perante tão heterogêneos sistemas místico-religiosos? Por que tantas linhas de pensamentos, muitas vezes bem diferentes confluem até Salomão?

Quando se fala de Salomão torna-se muito difícil separar o que é verdade do que é lenda, sendo assim quase impossível se estabelecer os limites onde termina a verdade histórica e onde começa a lenda.

Quando Davi estava avançado em idade ele ansiava por cumprir uma promessa que não era somente dele, mas também de todo o povo hebreu: Edificar um grande templo dedicado ao deus de Abraão e que ele próprio não pudera construir em virtude das inúmeras guerra com que se ocupou em todos os anos de sua vida.

Afim de que tenhamos uma melhor compreensão do problema que tentamos evidenciar nesta palestra é oportuna uma comparação entre acontecimentos relatados na Bíblia com os que são citados no Alcorão, livro sagrado dos islamitas, e ligados ao Rei Salomão, para que se tenha conhecimento de muitos pontos que são obscuros numa tradição e bastante clara na outra.


Embora não esteja relatado na Bíblia, mesmo assim, é verdade que Salomão quando da velhice de seu pai Davi não estava presente na Palestina. Ele, segundo algumas informações contidas em documentos particulares de algumas ordens Iniciáticas, estava no Egito para onde fora a fim de tomar conhecimento do como estavam sendo dirigidas as Escolas Iniciáticas, e sobre a natureza do que, e do como, estava sendo ensinado lá, pois isso dizia respeito diretamente à sua principal missão na terra. Salomão tinha como primeiro objetivo expurgar as influências do lado negativo dentro das fontes de conhecimento de então. Sabe-se que em Memphis Salomão foi iniciado nos GRANDES MISTÉRIOS egípcios numa Escola ligada diretamente à Grande Fraternidade Branca, naquela época sediada no Egito.

Com a aproximação da morte de David, Salomão foi chamado do Egito e quanto chegou à Palestina o seu irmão Adonias estava praticamente no poder.

A Bíblia não traz referências quanto à vivência de Salomão no Egito. Aquele livro apenas cita que ele desposou uma filha do Faraó ( Reis I 3-1 ).

Também em Reis 14.29 e seguintes é citado que a sabedoria de Salomão era maior do que a sabedoria de todos os reis do Oriente e do que a sabedoria dos egípcios. Vê-se que Salomão estava de alguma forma ligado a várias fontes de conhecimentos, especialmente aos conhecimentos dos egípcios.

Quando Salomão esteve no Egito haviam transcorrido cerca de 482 anos desde a partida dos hebreus do Egito e de quando eles trouxeram grandes conhecimentos secretos, razão da contra ordem dada pelo Faraó para deter o êxodo.

A sabedoria de Salomão derivava das próprias tradições de seu povo, mas, então aquela sabedoria em parte havia não apenas sido em parte esquecida, mas principalmente adulterada pela Conjura e por influencia da natureza negativa tendo a frente Jehová. Naquele período as Escolas de Mistérios ainda estavam muito ativas e possuindo muito sabedoria. Por tal razão Salomão foi enviado ao Egito a fim de se inteirar do como as verdades estavam sendo guardadas e ensinadas.

Salomão mostrou ser uma pessoa de sabedoria incrível. Conhecia todos os segredos da história da humanidade, dominava todos os conhecimentos da sua época bem como do passado. Não era uma pessoa comum e nem "santa" segundo os atributos dos santos da Igreja Católica. Essencialmente era uma pessoa sábia, de consciência clara, portanto.

Na primeira fase de sua vida pública, o que ele tinha de especial era um conhecimento imenso, algo fora do comum, estava infinitamente adiante dos demais seres de sua época. O que havia nele de especial era o saber e não um caráter de bondade piegas.

Foi aquele jovem rei Salomão a quem Davi deu a incumbência de construir um templo onde deveriam ser guardada a Arca da Aliança, juntamente com as Tábuas da Lei.

A Maçonaria explica de forma muito especial e detalhada as diferentes etapas da construção daquele templo e praticamente baseia a sua ritualística nele.

No que diz respeito a Salomão haver construído um templo o qual era um compromisso do povo hebreu para com Jehová é mais um paradoxo, pois se Salomão tinha conhecimentos da infiltração do lado negativo da natureza no seio da cultura e da religião hebraica por qual razão Ele tomou construiu aquele templo? Sendo Salomão sabedor da natureza de Jehová não é fácil se entender como Ele se dedicou àquela construção.

Se Salomão não empreendesse a construção do templo os hebreus continuariam inabalavelmente no propósito de construí-lo mais cedo ou mais tarde. Assim sendo Salomão preteriu ele mesmo empreender aquela obra. Construindo o templo, Salomão poderia dar-lhe um outro destino e foi assim que aconteceu. Por um lado Ele atendeu aos anseios do povo enquanto que por outro lado Ele deu-lhe um objetivo bem diferente. Seguiu as especificações técnicas e arquitetônicas, mas a destinação prático dada foi bem diferente. O templo não era apenas um local de acendimento religioso, mas sim uma verdadeira universidade apta a funcionar essencialmente como uma Escola de Mistérios semelhante àquelas que existiam no Egito Antigo.

Levado pelo seu imenso saber, e especialmente por haver sido membro destacado das Escolas de Mistérios no Egito, o rei Salomão construiu o Templo de Jerusalém de maneira a funcionar como uma Escola de Saber Oculto e não apenas uma casa de devoção a Jehová.

Salomão, o Rei de maior sabedoria entre todos os reis... Qual o imenso saber de Salomão? - Já dissemos que Ele foi um INICIADO nos Mistérios Menores e Maiores da Escola Iniciativa de Memphis no Egito. Os Mistérios menores envolviam todos os conhecimentos históricos e científicos da humanidade, mas somente com os Mistérios Maiores é que o postulante aprendia o domínio da mente. Além do conhecimento já existente nas Escolas de Mistérios de Memphis Salomão dominava magistralmente os ensinamentos da Cabala Hebraica e especialmente pelo Seu saber inato, saber que Ele tinha em si mesmo, que trazia consigo mesmo, pois sua consciência era uma projeção da Consciência Cósmica na terra.

Foi exatamente essa capacidade natural o que motivou o seu pai Davi a enviá-lo para o Egito afim de melhor tomar ciência do que estava sendo ensinado lá e assim Ele com mais habilidade pudesse sucedê-lo como rei de Israel, mesmo que tal atitude viesse a ferir o direito de progenitura de Adonias.

Adonias não tinha propensão para o saber oculto, era um espírito sem desenvolvimento algum, por isto nos bastidores da Conjura ele era o tipo ideal para governante. Jamais alguém como Salomão poderia ser da simpatia de da Conjura do Silêncio, e bem menos ainda ser aceito pela força negativa.

Naquela disputa entre Adonias e Salomão, na realidade por detrás havia um jogo tremendo entre os OBSCURANTISTAS, os INICIÁTICOS, e especialmente a FORÇA NEGATIVA.

Exatamente por ser detentor de conhecimentos ocultos, especialmente aqueles ligados à Cabala, Salomão foi aceito como o protetor dos magos. É tido como o rei da magia, das ciências ocultas, do hermetismo, etc. Através desses conhecimentos ele se impõe aos cultivadores das doutrinas secretas, das diferentes formas de magia, da maçonaria, e de quase todas as saciedades e doutrinas secretas do ocidente. Como um dos principais reis de Israel ele chegou a ponto das grandes religiões do ocidente como o Islamismo e muitas Igrejas Cristãs Tê-lo no mais elevado conceito.

Dizem os cabalista que Salomão foi o maior entre os maiores conhecedores dessa ciência. Ele detinha, segundo todas as fontes de informações, um poder incrível sobre as forças da natureza. Assim o grande poder de Salomão dominava todos os gênios da natureza. Diz a tradição que Ele impunha a sua vontade sobre todos os "demônios" ( Não cabe nesta palestra discutir se os gênios, anjos, demônios, Djins, elementares e outras formas de existência são reais ou imaginários. Citamos essas entidades para justificar o porquê de Salomão ser reconhecido simultaneamente por cristãos, magos, feiticeiros, cabalistas, místicos, etc.

SALOMÃO é respeitado pelos magos e feiticeiros de todos os tempos. O seu nome aparece nos livros sagrados dos cristãos tanto quanto nos islamitas, ou nos tratados de magia branca, assim como de magia negra; nos livros de Maçonaria e nos de inúmeras outras ordens iniciáticas e sociedades secretas.


SSomente se entendendo a problemática da humanidade, no que diz respeito aos obscurantistas, e aos iniciáticos é que se pode tirar as dúvidas, afastar as desconfianças do contrário se torna decepcionante ver o nome de Salomão ligada à seitas demoníacas, e a muitas formas de conhecimento oculto.

Passemos às lendas, aos mitos, e à algumas estórias verdadeiras ligadas a Salomão.

O grande Rei, dizem, era detentor de um anel mágico, um anel cabalístico que Lhe dava poderes maravilhosos, e no que existia desenhado o famoso SÍMBOLO DE SALOMÃO, também conhecido por SIGNO SALOMÃO por haver sido usado pelo Rei como sinete com o qual eram autenticados os documentos. Ainda existem alguns daqueles documentos autenticados com o anel de Salomão em arquivos de sociedades secretas e mesmo em museus.

O anel de Salomão era um talismã valiosíssimo com o qual Salomão submetia à sua vontade todos os gênios e demônios. A Tradição Místicas dos árabes é riquíssima no que diz respeito aos imensos poderes do REI no domínio de todas as forças da natureza. Pela Bíblia é pode-se sentir o quanto era vasta a sabedoria do GRANDE REI.

Uma das tarefas de Salomão foi a construção do Templo de Jerusalém, promessa do povo hebreu ao deus de Abraão e o principal desejo de Davi.

Dizem as tradições de algumas doutrinas que na construção do templo não se escutava qualquer ruído embora ali a pedra fosse trabalhada profusamente. Para explicar isto muitos afirmam que as pedras foram trabalhadas em pedreiras distantes transportadas já devidamente cinzeladas até o local da construção onde somente eram montadas. Mas os que assim afirmam desconhecem a verdade. Uma verdade velada, um dos grandes mistérios das civilizações antigas. O fato dos blocos haverem sido transportados não explica o não se ouvir os ruídos da construção, dos deslocamentos blocos e da cooptação de uns nos outros. Mesmo numa de nossas construções atuais feita com pequenos tijolos de barro, para ajustá-los devidamente escutam-se batidas de ferramentas. Como, então, explicar que na construção do Templo em que foram utilizados blocos grande de pedra barulho algum fosse propagado?

Para explicar isto vamos invocar aquilo que está escrito nos livros religiosos islamitas.

Salomão na construção do templo invocou o auxilio dos "gênios" graças aos poderes cabalísticos que possuía. Assim os gênios se submeteram a vontade de Salomão e foram obrigados a trabalhar como escravos. Mesmo estando sendo construído por gênios Salomão tinha o sossego quebrado pelos ruídos da lapidação das pedras, pelo ajustamento dos blocos nas paredes. Incomodado por isso o rei indagou dos "gênios" se aquele trabalho não poderia ser feito em silêncio e assim exigiu que a obra fosse trabalhada sem ruído algum. Os "gênios" disseram que tal era impossível para eles, mas que existia um "gênio" que tinha tal conhecimento, mas que fugira à convocação de Salomão. Este, por meio de processo mágico localizou o "gênio" rebelde e usando o poder do seu anel submeteu-o e este teve de explicar a maneira como trabalhar a pedra em silêncio. O gênio foi obrigado a revelar aquele segredo dizendo: "Oh Rei. Cobre o ninho daquele corvo com uma campânula de pedra e descobrirás aquilo que desejas". Salomão assim procedeu e verificou que o corvo ao regressar para o ninho havendo encontrado os ovos cobertos voou e regressou depois trazendo um certo tipo de erva que depositou sobre a campânula de pedra sob a qual estavam os ovos. A erva foi libertando seiva e esta amoleceu completamente a pedra e assim o corvo conseguiu com o bico libertar os ovos. Imediatamente o Rei ordenou que aquela seiva fosse utilizada para tornar os blocos de pedra amolecidos e assim tudo pode ser construído em silêncio. Depois dos blocos cortados, moldados, e ajustados novamente eram solidificados.

Isto por certo é uma das lendas sobre Salomão, mas na verdade o Rei tinha conhecimento do como amolecer a pedra, pois a técnica de amolecimento da pedra é uma realidade, mas que na história de Salomão aparece em uma forma lendária. Sobre esse mito repousa uma grande verdade, tanto a técnica de amolecimento de rocha existia no passado como também o Rei submeteu muitos "gênios" da natureza, especialmente "gênios" servidores da força negativa.

Com certeza Salomão não aprendeu a amolecer pedra da maneira como diz a lenda, mas sendo detentor de Consciência Cósmica ele sabia de todas as técnicas e ciências, sem falar nos conhecimentos a que teve acessos nas Escolas de Mistérios, nas fontes de conhecimento do Egito desde que aquela técnica foi amplamente empregada na construção das grandes construções do Egito e oriundos da Atlântida. Este é um dos grandes segredos da antigüidade e que explica os grandes paradoxos das construções megalíticas da pré-história.

Assim se pode saber como os egípcios que só dispunham de serra e brocas de bronze podiam executar monumental trabalho em pedras. ( aquela erva cuja seiva amolece a pedra não é uma raridade, ela existe em abundância no Brasil).

Não são apenas as lendas islamitas e maçônicas que falam da construção do Templo de Salomão. Existem inúmeras outras que se completam e cada uma guarda em si ensinamentos vários, e lições morais interessantíssimas.

Com o término da construção do templo Salomão cumpriu a promessa feita pelo seu pai Davi e paralelamente o povo hebreu cumpriu a promessa feita a Jehová.

Estrela de cinco pontas ou Pentagrama que era um símbolo do Rei Salomão
Durante a construção Salomão começou a fazer ver que uma obra arquitetônica muito bem pode simbolizar a via de desenvolvimento e evolutiva de uma pessoa humana. Tudo pode ser construído, moldado, lapidado, polido, e ajustado na vida do ser humano, tal qual numa edificação de pedras. Assim a construção moral do ser pode ser simbolizada pela construção de um edifício material. Mas, a construção do ser humano em suas qualidades espirituais é uma obra mais grandiosa que qualquer templo material, algo bem mais imperecível, pois que jamais pode ser destruída. Assim Salomão estabeleceu as bases de uma nova ordem social utilizando para a construção desse homem novo as mesmas bases que fora empregada para a edificação do templo e assim criou uma Escola Iniciática em que as pessoas eram distribuídas em três graus tal como os obreiros eram classificados na construção do templo material. Isto é essencialmente a base da Maçonaria.


A estrutura física do edifício do Templo de Jerusalém não condiz de forma alguma com as linhas clássicas de um templo religioso e sim com as de uma universidade.

Com a criação daquele templo destinado ao aperfeiçoamento do ser humano o Rei Salomão quis criar algo eterno, um templo imaterial para que o homem pudesse se desenvolver e evoluir em saber. Para que ele pudesse ascender no cumprimento daquilo para o que está destinado, o desenvolvimento cósmico de sua natureza. O templo material poderia ser o cumprimento de uma promessa feita pelo povo hebreu àquele ser que se intitulava Jeová, o senhor dos exércitos, mas o imaterial a Escola Arcana de Sabedoria, esta visava homenagear o Ser Superior, à Consciência Cósmica, Supremo Criador de todas as leis universais, Creador de bilhões de sistemas plenos de vida. À este o rei Salomão dedicou paralelamente não um templo material, uma escola de mistérios, em termos atuais.

Nas Escolas de mistérios e no Templo de Salomão se aprendia muito sobre ciências altamente adiante da época. Lendo-se os antigos filósofos vemos claramente que eles conheciam muitos princípios científicos atuais. Por exemplo, a idéia de que a matéria era constituída de estrutura que os gregos chamaram átomos e cujo enunciado é atribuído a Demócrito, a Leucipo e a Epícuro, na realidade a idéia não partiu daqueles filósofos. Demócrito recebeu-a de Moschus, o Fenício, a informação precisa de que o átomo era indivisível ( quimicamente ).

Segundo Tales de Mileto e Anaxímenes, a Via Láctea era constituída de estrelas.

Galileu confessou claramente que suas afirmativas a respeito do movimento da terra ele a colhera dos antigos, Copérnico, considerado o criador da teoria heliocêntrica, no prefácio de sua obra dedicada ao Papa Paulo III, diz textualmente que descobriu o movimento da terra nos escritos dos antigos. Na realidade não foi Newton quem descobriu a "Lei da Gravidade Universal", também conhecida como "Lei do quadrado das distâncias". Antes dele, Pitágoras já havia afirmado isto, e antes deste, Plutarco disse que havia uma atração recíproca ente os corpos, que o sol atraia a terra.

Uma magnífica indagação é sobre o que constava nos milhares de manuscritos da Biblioteca de Alexandria que foi totalmente destruída. Também nas 200.000 obras da Biblioteca de Pérgamo? Seriam apenas historietas? A realidade é que havia ali muitos conhecimentos científicos, históricos filosóficos tudo sobre a gênese da terra, dos espíritos e do universo.

Como Salomão esteve ligado a diversas fontes que tinham esse tipo de conhecimento é de se admitir que ele tinha pleno conhecimento, um conhecimento abrangente de tudo quanto havia naquela época. Atualmente é que no templo de Jerusalém havia algum instrumento igual ou equivalente aos atuais pára-raios.
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giulio romeo - 2008 - 2011 - psicologia espiritual .